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Agarrei sua nuca, puxei sua cabeça para trás pelos cabelos e
grudei meus lábios nos dela sem me incomodar se estava sendo rude ou a estava
machucando. Ela apertou os olhos, tentando a todo custo não retribuir esse
contato. Não me incomodei com o que ela não queria, só as minhas vontades que
importavam no momento. E a minha vontade era beijá-la. Enfiei minha língua dentro de sua boca, sem nem ao menos pedir licença, ela lutou durante míseros segundos, tentando a todo custo evitar que minha língua encontrasse com a dela. Ela arqueou o corpo no momento que elas se chocaram, eu havia ganhado essa batalha. Por mais que ela negasse, eu sabia que ela queria isso tanto quando eu. Separei nossos lábios, apenas porque precisava respirar. Ela ameaçou levantar e sair de perto de mim, mas eu agarrei mais forte seus cabelos, puxando um pouco mais sua cabeça, minha vontade era de continuar com aquilo. Vi que suas mãos apertavam a mesa até quase deixar os nós de seus dedos brancos. Ela virou seus olhos verdes para mim, e por um momento, esqueci de porque estava fazendo isso. Grudei nossos lábios com raiva mais uma vez, sentindo meu coração bater descontrolado. Isso fez com que a minha ira aumentasse ainda mais. Acabei apertando a mão envolta de seus fios escuros. Essa garota sempre me tirava do sério. Ela levou a mão ao meu braço livre, fazendo algo que me pareceu ser um carinho. Isso me deixou muito mais irado. Ela não tinha mais esse direito. Intensifiquei o beijo, enfiando mais uma vez minha língua por dentro de sua boca. Não queria me incomodar com o que ela pensava, só queria que essa raiva que crescia rapidamente dentro de mim se extinguisse. Mas não estava dando muito certo a minha tática, a cada minuto que passava mais eu percebia o quão difícil seria fazer isso parar. Eu estava começando a me viciar. A levantei, segundo na sua nuca. Passei a mão pela sua cintura e com um só impulso, a coloquei sentada na mesa. Ela não falou nada, apenas manifestou uma leve surpresa quando fiz esse movimento. Me acomodei no meio de suas pernas, a sentindo as enlaçar nas minhas costas. Ela agarrou o meu cinto, e me puxou ainda mais para perto, sussurrando que me queria naquele momento. Talvez eu não devesse ter vindo falar com ela. Tirei a mão de seu cabelo, e as desci, meio sem um rumo formado. Ela enfiou as mãos por dentro da minha camisa, subindo pelo meu peito arranhando as unhas por ele. Gemi quando a senti fazer isso, a fazendo sorrir satisfeita. Ela gemeu quando puxei seu vestido para cima, passando meus dedos em sua meia calça. Mordi seu pescoço, enquanto enfiava as mãos por dentro de seu decote. Descolei nossas bocas, e foi vez dela ir em direção ao meu pescoço deixando mais uma marca por ali. Afastei sua calcinha e a penetrei, sentido toda minha tensão ir embora quando me vi dentro dela mais uma vez. Ela soltou um gemido alto o bastante para ser ouvido nos outros cômodos da casa, não que isso fosse possível com a música alta que vinha da sala. Comecei a me movimentar, não dando tempo dela sequer perceber o que estava acontecendo. Num segundo ou dois, ela começou a acompanhar meus movimentos. Agarrei sua nuca e a trouxe para perto outra vez e antes de beijá-la, olhei em seus olhos verdes - essa podia ser a última vez que eu fazia isso. Pensamentos desconexos começaram a passar pela minha cabeça, me fazendo questionar minhas escolhas, já não sabia mais se o que pretendia fazer era o certo. Mas não voltaria atrás agora, minha decisão já tinha sido tomada. - Vamos... - sussurrei, colocando minha cabeça em seu ombro, começando a me movimentar ainda mais rápido, sentindo uma explosão começar a acontecer dentro de mim. Ela enfiou as unhas nos meus ombros, por baixo da minha camisa. E da mesma forma que tinha começado, acabou. Me soltei dela, não olhando mais nenhuma vez para seu rosto claro - não tinha certeza se conseguiria ir se fizesse isso. Não queria fazer uma cena, não precisava fazer uma cena. Nada demais estava acontecendo, eu apenas a estava deixando, que era uma coisa que devia ter feito tanto tempo atrás. Ou talvez, eu nunca devesse ter me envolvido com ela, para início de conversa. Dei dois passos para longe da mesa, onde ela ainda se arrumava. Abaixei e pequei o meu colete cinza, que em algum momento entre eu abrir essa porta e transar com ela, fugiu do meu corpo. O coloquei calmamente, sem me virar um segundo que fosse. - Nick... - a escutei sussurrar, pulando da mesa. - Adeus, Maude. - bati a porta. Dei várias passadas apressadas para longe daquela maldita sala, ou talvez só estivesse correndo dela e do que poderia fazer se não estivesse bem convencido dos meus ideais. E no momento, minha maior vontade - além de ficar o mais longe possível da Maude - era continuar vivendo e deixar que tudo voltasse a ser como era antes dela entrar na minha vida. Mas eu não merecia esse tipo de coisa. - Nick! Onde você se meteu esse tempo todo? - virei lentamente na direção da voz alegre de meu amigo. - Andando, Brian. - respondi, dando uma checada rápida pela sala. - Bem, isso parece ter virado uma mania sua, de uns tempos para cá. - me olhou ressabiado e eu tentei fazer minha melhor cara de nada. - E você anda me irritando muito de um... - Finalmente você o encontrou! - fechei os olhos e contei até cem em dois segundos, não sabia se estava preparado para lidar com ele - Onde ele estava? - O que tanto vocês querem comigo? - olhei para o Brian, evitando olhar mais que o necessário para o outro ao seu lado. - Você poderia ser ao menos educado, Carter, estou recendo visitas. - A.J. comentou, passando ao nosso lado seguindo um tufo de cabelo avermelhado. - Ele vai ficar falando dessa festa até morrer. - Brian gemeu, prevendo o inevitável: A.J. só falaria sobre a festa de fim de ano que deu, durante uns bons anos. Me cansava só de pensar nisso. - Mas ele tem porque falar, ele organizou uma festança. - Howie, não podia ignorá-lo por muito mais, comentou colocando a mão em meu ombro - E Nick, sabe o que o pessoal está querendo muito saber? - ele apontou para um grupo mais a trás, rindo abertamente de alguma piada - Quem era a garota que deixou seu pescoço vermelho no meu casamento. - prendi ligeiramente a respiração. - Não sei do que você está falando, Howie. - ele soltou uma gargalhada antes que eu respondesse no tom mais desinteressado possível. - É claro que sabe. - deu um sorriso - Você chegou completamente esbaforido e todo vermelho, além de ter quase se atrasado. Fiquei com medo que você estivesse com algum tipo de... - ele sorriu mais abertamente agora, olhando por cima de meu ombro direito. E eu maquinalmente olhei na mesma direção, e no segundo seguinte me arrependi de ter feito isso. Tudo porque a Maude vinha caminhando lentamente pelas pessoas, abrindo espaço tão facilmente quando uma modelo abre num evento de moda. Respirei fundo, não tinha como escapar dela essa noite. - Maude. - Howie sorriu ainda mais, abrindo levemente os braços - Você demorou muito, querida. - ela deu um beijo rápido em seus lábios, virei o rosto na mesma hora. Não precisava ficar vendo essas manifestações de carinho em público. - O retoque da minha maquiagem demorou mais do que eu previa, Howie. - me irritei com o tom que ela usou para chamá-lo - E se você quer saber, - falou em tom de confidência - eu me perdi também. - eles riram e se beijaram mais uma vez, como se partilhasse alguma piada que apenas casais possuem. Ignorei isso mais uma vez, não estava aqui para ficar me martirizando. Tinha feito minha escolha, e era claro que ela era a melhor a ser feita. Maude e eu nunca tivemos um futuro, nem ao menos um presente. Éramos apenas dois com vontade de transar. Não com nossos respectivos pares, mas sim um com o outro. E pouco importava que ela era esposa de um dos meus companheiros de banda. Mas isso era no começo, quando era divertido transar no estúdio com a possibilidade de alguém entrar e nos pegar fazendo algo que esposas não deviam fazer com caras que não são seus maridos. Agora, a minha consciência pesava muito mais, nada fazia tirar da minha cabeça que estávamos traindo, não só seu casamento, mas também uma amizade de mais de dez anos. E isso não era uma coisa que eu estava disposto a perder. Resolvi ir dar uma passeada, tentando fazer com que tudo voltasse a parecer certo. Quem sabe se eu me focasse amplamente aos meus problemas, isso que acontece comigo toda vez que ela passa, acabe rapidamente. O problema que é nela que resume todos meus problemas atuais. Corri meus olhos pela sala, parando um segundo a mais no A.J. que travava algum tipo de luta corporal com a dona de um emaranhado de cabelo cacheado. Parecia que a partida estava empada, e ambos não demonstravam sinais de cansaço. Talvez eu devesse largar tudo o que eu tinha para fazer, e apenas ficar aqui, observando essa cena. Ou talvez eu devesse ir para beira da piscina. Caminhei lentamente pela cozinha, olhando em volta tentando encontrar as chaves da porta dos fundos. Não havia entendido o porquê do A.J trancar essa porta, fez isso só porque não queria ninguém transando em sua piscina? Não sei exatamente que tipo de amigos ele pensava que tinha. Deve ter me incluído nessa conta. Acho que ele não fazia idéia de como estava certo, se realmente fez isso. “Mas eu não era um bom exemplar realmente”, pensei com amargura enquanto procurava a chave que tinha certeza que estava escondia em algum lugar da cozinha. Amigos não dormem com a noiva de seu amigo na véspera do casamento, enquanto ela fingia fazer uma prova de emergência do vestido; amigos não comem a esposa dele na cama deles, enquanto ele ia à casa da irmã; amigos não transam com esposas no camarim, enquanto todos acham que ele saiu com uma ruiva. Mas eu fiz tudo isso, e muito mais com a Maude. E nunca me arrependi, transar com ela sempre foi a melhor parte do dia. Só que não é mais, não sei ao certo o que mudou ou o que eu percebi, mas algo mudou de uns dias para cá. Algo que me fez perceber que o que temos - que não é um caso, porque quando as pessoas tem casos elas têm a intenção de ficar juntos, e toda a nossa intenção era apenas ter boas transas - não era nada. E eu não quero viver um nada. Mexi nas panelas penduradas no teto, até que encontrei a chave dentro da maior. A.J. sempre foi previsível. Abri a porta e sai, não me incomodando de trancá-la depois, não ficaria muito lá fora, só o tempo deu fumar alguns cigarros. E essa foi mais uma mania que Maude me fez adquirir. Nunca fumei, nunca nem ao menos havia colocado um cigarro na boca, e hoje se ninguém estivesse perto, conseguia fumar quase três maços sozinhos. Depois do A.J. que é o chaminé do grupo, sou o que mais fuma. Ninguém nem ao menos podia sonhar com isso, mas como já mostrei, eu era bom em ocultar as coisas. A porta abriu e fechou rapidamente as minhas costas, e eu tratei de jogar o cigarro no chão - mesmo ele estando apenas meio fumado - e o apagar com o pé. Alguém começou a caminhar para mim, numa velocidade muito grande, diria até mesmo que essa mulher estava correndo, tamanho era o barulho que seus saltos faziam. Não me virei, tinha medo de com que rosto encontraria. - Nick, o que há com você? - Será que você não entende o significado da palavra “adeus”, Maude? - falei sem me virar, olhando para o azul da água da piscina. - Claro que sei. - ela respondeu indignada - Só não entendi porque você falou isso. Você está pensando em parar de me ver? - Você não pode ter achado que isso iria para frente. - me virei bruscamente - Sempre ficou muito claro que nossas noites não teriam futuro algum. Principalmente se levarmos em consideração que, mal acabávamos de transar, você se vestia e sumia, falando algo sobre o Howie. - resmunguei sem saber ao certo porque isso me incomodava tanto. - Ele é meu marido, se você não sabe. - ela cruzou os braços e me encarou furiosa, eu a encarei de volta sem acreditar no que ela estava falando - Era mais que óbvio que eu voltaria para ele. - Então por que, caralho, você dormia comigo? - bradei, sentindo minha garganta queimar de raiva. - Pelo mesmo motivo que você gostava de dormir comigo. - ela empinou o nariz, numa clara atitude de desafio. Eu conhecia essa fisionomia, foi meio por conta dela que começamos a transar, para início de conversa. - Garota. - fui até ela, o mais depressa que meus pés conseguiram - O que há com você? - agarrei seu braço forte. - Você está me machucando, Nick. - ela disse olhando firme no meu rosto. - Pouco que me importa. - apertei mais, realmente pouco me importando com isso - Você não pode achar que nada está acontecendo. - Sim, sei que tem alguma coisa acontecendo. - tentou se soltar, mas eu não permiti - Você está tendo um ataque de ciúmes e está pedindo para eu escolher entre você e o Howie. - arregalei os olhos. - O QUE? Está maluca, Maude? De onde você tirou a idéia que eu quero que você escolha entre eu e o seu marido? - a sacudi levemente. - Não tente me enganar, Nick. Eu já vi como você olha quando estou com ele! - franzi o cenho, mas logo depois percebi que ela estava tentando fazer. - Já percebi o que você está tentando fazer, e vou logo avisando que não dará certo! - a sacudi novamente, e dessa vez mais forte que antes, acho que minha raiva para com ela se manifesta dessa forma agressiva. - Nick... - ela gemeu e focou seus olhos verdes em mim, e eu meio que esqueci o fio da meada - Você não pode estar falando sério. Howie nunca descobriu, por que esse medo agora? - perguntou o que ela vinha perguntando desde que apareci na sala de jantar mais cedo. - Ele é meu amigo, Maude! Não posso mais fazer isso com ele! - Pois eu não vou deixar que você pare de me ver. - empinou o nariz mais uma vez - Você me quer, tanto quanto te quero. E se bobear, você me quer ainda mais. - Vê se você consegue entender uma coisa, Maude. - agarrei seu outro braço e a sacudi, seu cabelo batendo na lateral do meu rosto não me ajudava em nada - Cansei disso tudo! E lamento informar, garota, mas você vai perder um de seus cãezinhos, porque não vou mais abanar o rabo para você. E como se fosse para provar que ela estava certa, soltei um de seus braços e fechei meus dedos em volta de sua nuca. Não sei ao certo o que tinha pensado em fazer, mas no momento que foquei em seu rosto delicado, minha idéia sumiu deixando no lugar uma imensa vontade de beijá-la. Que foi o que fiz no momento seguinte. Grudei minha boca, com os lábios fechados, na dela. Franzi o cenho, me concentrado na idéia de que não sentia absolutamente nada quando juntava nossos lábios. Ela não era nada para mim, assim como eu não era nada para ela. E sempre foi dessa forma, e seria para sempre, até que eu desse um basta de vez. Era isso que eu estava tentando fazer, mesmo que parecesse que era ao contrário. Abri meus lábios, e enfiei minha língua em sua boca, logo encontrando com a dela. Não queria me incomodar com mais nada, apenas com nossos corpos se chocando. Nunca poderia explicar porque só ela provocava esse tipo de reação em mim. Acho que tinha algo haver com o perigo. Quando percebi, já estava abrindo a porta da casa da piscina e me sentava na cadeira que tinha ali. Ela se acomodou no meu colo e voltou a me beijar. Levantei seu vestido branco e passei as mãos pelas suas costas, ela começou a abrir os botões da minha camisa e depois deu mordidas no meu peito. Abaixei a alça do vestido, e tirei um dos seios; o mordi logo depois. A escutei arfar no meu ouvido, fazendo com que a minha própria respiração acelerasse ainda mais. Ela gemeu algo que lembrou muito meu nome, no momento que desci a mão para o meio de suas pernas. Tornou me chamar em meio de gemidos, nos minutos seguintes, enquanto eu continuava a acariciando. Continuei mexendo em seu mamilo, começando a sentir se estremecer no meu colo. Intensifiquei os movimentos e a senti amolecer em meus braços. Ela levantou e virou de costas para mim, e no momento seguinte já estava dentro dela outra vez, me movimentado o mais rápido que a posição permitia. Gemi alto, não tinha como negar, sentiria falta disso tudo. Ela encostou a cabeça no meu ombro e me olhou. Ficamos nos olhando enquanto transávamos, apenas fechando os olhos quando a excitação nos impedia de mantê-los abertos. Olhei pela janela, vendo o novo ano romper lá fora. Os fogos anunciavam que mais um ano tinha começado. Sempre disseram que fogos de artifícios serviam para espantar os maus espíritos e o mau agouro, esperava que esses espantassem tudo o que tinha acontecido na minha vida nesse último ano. Suspirei entediado. - Nick, você não vem? - virei na direção do A.J., percebendo que ele finalmente tinha dobrado a... não conseguia lembrar o nome da garota de cabelo cacheado, já que eles estavam de mãos dadas. - Já estou indo. - respondi indiferente. - Howie já está estourando a champanhe. - olhei para onde ele apontava e encontrei meu amigo abraçado à esposa sorrindo radiante. - Pegue uma taça para mim, por favor. - pedi, o mais polidamente que consegui - Quero ficar aqui na janela um pouco mais. - O que há com você esses dias? - ele me encarou de cenho franzido. - Acabei de perceber que não devia, nunca, ter começado tudo isso. Eu bem sabia que tudo terminaria dessa forma. Mas nunca quis que terminasse. |